Ele urrava como leão, que a peneira estava furada e ele não tinha mais responsabilidade pelas palavras que iam sair ali da boca. Era aviso-precaução, que a barra ia pesar. Que era melhor quem não tava gostando ir dormir. Que ele ia atropelar o Tchaikovsky que tocava na vitrola e agora ia vomitar o que tinha ruminado por toda a festa, de tanta gente falando bosta. Ele ia magoar, ferir com a palavra, ferida doída e duradoura, e depois disso, ia ficar tudo diferente --ninguém ia sair daquela casa puída do mesmo jeito que veio. Era coisa séria. Relacionamentos iam acabar, gente ia passar a se achar um merda, outros iam se surpreender. O Tião era assim, lia as pessoas como livros e quando arrebentava, dava o verbo, com coisas que ninguém queria ouvir. Ficou uma atmosfera de medo e expectativa, mas ninguém se moveu. Ele começou.
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