* Ensaio oral feito por Aymardu X`nabe, integrante dos Txuluca Paxlatoyalu, anotado em viagem ao shopping center transcendental da alma de borracha. Conversou com a equipe durante duas horas. Encerrou a exposição com essa narrativa e depois disso recusou-se a falar novamente conosco. Passou o restante da tarde calado, sentando em um toco de madeira da praça de alimentação, enquanto falávamos com outras pessoas da tribo. Por trazer um pouco de sua mitologia pessoal, ao mesmo tempo que carrega os preceitos e crenças dos Paxlatoyalu, resolvemos torná-lo público (traduzido para o português por Érico Expedito Onézimo Rubato).
Na parede sagrada, pai estendia seus mantos. Um manto era o manto de quem queria encontrar a verdade, enquanto o outro, era o manto de quem queria se esconder do mundo.
Gente de toda a Terra vinha em busca desta parede sagrada, onde pai colocava seus mantos, em busca da paz derradeira do senhor. Ah! Como se o senhor escondesse a paz derradeira debaixo das mantas de pai!
Não havia paz derradeira em nenhuma das mantas. Lá estava posta a verdade, lá estava posto o esconder-se do mundo.
Cada um que traçava os seus passos no chão, caminhando uma trajetória em direção à parede sagrada onde o pai encostava suas mantas. Cada um que fazia esse caminho, tinha uma descoberta diferente de si próprio.
Há muitas pessoas que buscam a paz derradeira, como se a paz derradeira fosse algo pronto de ser buscado.
A paz derradeira mora talvez num suspiro, talvez num momento, talvez num único segundo more a paz derradeira.
Talvez ela nem more. Talvez ela nem exista.
Talvez a paz derradeira seja de fato a morte, como muitos pregam.
Mas como ir de encontro à morte? Como alcançar a morte como se fosse algo alcançável? Como extinguir a própria vida em busca de uma paz derradeira?
A paz derradeira talvez seja a destruição da Terra?
A paz derradeira talvez seja o momento em que a gente acordar que a Terra não precisa ser destruída, mas que precisa ser vivida. Quando entendermos que a trajetória é que é a coisa toda. Quando entendermos que estamos em trajetória o tempo todo e que, então, já estamos. Quem está em trajetória já está, quem está em trajetória já está. Quem está em trajetória já está.
A paz derradeira talvez seja o momento em que a gente acordar que a Terra não precisa ser destruída, mas que precisa ser vivida. Quando entendermos que a trajetória é que é a coisa toda. Quando entendermos que estamos em trajetória o tempo todo e que, então, já estamos. Quem está em trajetória já está, quem está em trajetória já está. Quem está em trajetória já está.
"O bom da viagem é a estrada" Abraço!
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