Divido a palavra,
como quem parte ao meio.
O poeta primeiro lavra,
depois faz o semeio.
ps.: Poema saído de outro poema feito com a Lua.
segunda-feira, abril 04, 2011
domingo, março 20, 2011
Pássaro sem nome
a Clara
A moça ficava em dúvida de qual era o passarinho que vinha visitar seus hibiscos vermelhos agarrados à grade verde-escura que cercava a casa. Ela deitava na grama do quintal com seu vestido amarelo (às vezes azul-turquesa e outras verde-clarinho) e observava o bate-bate de asas que vinha buscar néctar e depois desaparecia, até a próxima manhã.
Todo dia era a mesma coisa. Ela ficou tão curiosa, que procurou na internet, nos livros e até em um clube de observadores de pássaros, para descobrir como chamar o passarinho. Ficou uma semana nessa busca e não encontrou qualquer pessoa que soubesse.
Aos poucos, acostumou-se com a ideia de não chamá-lo e continuava a receber sua visita certeira, anônima e muito querida.
Um dia, uns meses depois, um homem que passava pela rua apontou e disse alto, para um de seus amigos, "Um beija-flor balança-rabo-canela, é extremamente raro e só existe na Bahia. Tira uma foto!"
Depois disso, o pássaro nunca mais veio. O nome era o que menos importava.
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
Festa
Passei azeite nos braços dela e corri minha mão por eles, fazendo escorrer pro chão, pro meu corpo. Aí nos abraçamos e beijamos. (E a lua dentro dela era cheia) Jogamos um plástico pro mato e nos deitamos lá. Brincávamos de fungar um o outro, de sorrir, de se encostar e se esfregar com força. Era intenso, bruto e carinhoso. Um preencher e esvaziar quase convulsivo. Um festejar sagradejante, uma ovação do agora.
O sexo veio por último. Uma dança que se atrapalhava e se sincronizava, como harmonia e melodia numa música, cheia de instrumentos de sopro, cordas e percussão. Intuitivamente afinados.
Nossos gozos
coincidiram
com uma chuva torrencial
que veio pra amansar
o quente da noite
e lavar,
de alto a baixo,
nosso ser.
coincidiram
com uma chuva torrencial
que veio pra amansar
o quente da noite
e lavar,
de alto a baixo,
nosso ser.
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